terça-feira, 12 de maio de 2009

A vida diante do morto 08/01/2007

Amo, e esta esperança é a única, a última
Que poderá, fará, levantar desta catacumba
Em que há muito tempo estou enterrado
Inteiro? – não!!! – só até o pescoço
Para poder ver o quanto sobra de mim

Não sobra nada de mim
Não sobra nada de ninguém
Todos estão corrompidos e a pureza
.Toda a pureza, se esconde atrás dos sonhos de criança
Que, há muito, deixamos de sonhar
Não há mais sonho
Só eu, atolado até o pescoço
Vendo a vida bailar

Bailar, já bailei tanto, nem imaginas como bailei
Esses pés, descalços, enterrado
São pés vivos - já não sei se estão –
Que hão de testemunhar o quanto bailei..
Mas já os sinto mortos

Mortos, pois o coração já não bate mais
É um simples pulsar retumbante em meu peito
Sem vida, contudo, ritmado
Um ritmo que faz a vida dançar
E ela dança

Dança comigo, até o pescoço enterrado
Zombando de mim, dança com sua frivolidade
Dos passares dos anos em minha vista
Seu instante máximo de prazer
Baixo meu queixo
Para não ver o dançar da vida.
Francisco Muriel

Um comentário:

  1. Meu, curti muito este espaço! Tá de parabéns!

    Um abraço!

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